Março de 2012, Ilhas EIAO, Marquesas, Tahiti

Viajem de exploração as ilhas EIAO com Teddy, Malcom, Fabio e Marcio, Relato por Malcolm:
No início de Março, após meses de planejamento, nós quatro – Fabio e Marcio do Brasil, Randy da Califórnia e eu da Austrália, viajamos para as ilhas Marquesas na Polinésia Francesa.

A viajem foi planejada pelo Randy da JDM Tackle e a logística foi feita pelo grande Jigger e Popper Taitiano de nome Teddy Moux que vive em Nuku Hiva. As ilhas Marquesas ficam a 1500 Km à nordeste do Taiti e inclue uma dúzia de ilhas, onde somente 6 são habitadas. Nosso plano era viajar até Nuku Hiva de avião do Taiti, e então viajar mais 240Km de barco até a ilha deserta de EIAO, onde poderíamos acampar e pescar.

Fabio e Marcio, que vinham da América do Sul, chegaram alguns dias antes e fizeram um programa “light” de pesca ao redor de Nuku Hiva com Teddy, conseguindo pescar Wahoo’s, Atuns e Giant Trevallys antes de eu e Randy chegar. Após todos reunidos e mais uma hora e meia de carro até o outro lado de Nuku Hiva, partimos ao meio dia para uma viajem de 8 horas até EIAO.

Teddy deixou tudo pronto com os pescadores locais, os irmãos “Falchetto”, para utilizar seus barcos e conhecimento local. Partimos para EIAO junto de mais 7 membros Marqueses de uma familia local, 3 cães de caça, uma serra elétrica, barracas, comida e água e muito equipamentos de pesca.

Nós 4 mais 3 Marqueses viajamos em um barco Bertram pequeno no estilo Bertram, e Teddy e os outros “Falchetto” mais os cachorros e o resto dos suprimentos viajaram em um barco local aberto “Poti Marara”. O plano era de o “Poti Marara” chegar antes de nós e deixar o acampamento pronto. Chegamos já de noite e muito escuro, com o mar bravo impossibilitando nosso desembarque seguro em terra. Decidimos dormir no barco para acordar no outro dia e ver que o acampamento já estava todo montado e funcionando. Este pessoal das ilhas Marquesas faz o “Bear Grylls” – ator do programa Discovery “Á Prova de Tudo” – parecer um escoteiro! Eles arrumaram um encanamento direto de uma fonte de água natural, então tinhamos água corrente, chuveiro, e enquanto estávamos pescando, construiram uma cabana de proteção com telhado e tudo. Um rifle nos avisava que teríamos carneiro para o jantar. No outro dia, nos dividimos em dois grupos e fomos para a pesca.

Eiao é uma barreira rochosa com mais ou menos 11Km de extensão e 4Km de largura, com penhascos submersos de 550 metros. É bem semelhante ao terreno das ilhas Komodo e Sumba. Na base dos penhascos, pontos significativos com ação das ondas e correnteza, com o Jigging e Casting logo trazendo resultados. Giant Trevallys, red bass e black jacks eram em abundância.

Nosso estilo de pesca, casting e Jigging, era único e novo para o povo Marquês, que pescavam com muito sucesso no método tradicional. Tivemos momentos interessantes e divertidos tentando nos comunicar e explicar o que precisávamos e qual posição do barco era a ideal, principalmente quando pegávamos alguns peixões.

Os Marqueses falam Taitiano, Marquês e Francês, e nenhum se parece com inglês! Teddy foi nosso intérprete principal, mas ele não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, então tivemos que nos desdobrar e tentar aprender um pouco. Longe dos penhascos o mar era cheio de Atum de cauda amarela, fazendo com que Jigs, Casts e Pops pegassem muitos deles.

Eles eram Atuns de tamanho médio, mais ou menos um metro de comprimento, pesando no máximo 35Kgs. O problema com o Atum eram os tubarões, muitos tubarões. Pescamos muitos Atuns no tempo que tivemos ali, mas perdemos muitos deles para os tubarões, e no processo perdemos muitas iscas. Eu percebi um pouco tarde que talvez não tivesse sido uma boa idéia utilizar Carpenter Katobi’s , Pandoras, Gammas e Seafrogs quando na verdade qualquer isca seria mordida assim que tocasse na água! Havia também muitos pássaros, trazendo um pouco de dor de cabeça muitas vezes.

Fragatas podem te dar muito trabalho, resultando em um processo necessário de liberação das linhas e anzóis. Às vezes, tentar manter eles afastados das iscas era trabalhoso, descobrindo que uma Fragata que havia mordido sua isca no ar enquanto lançava. Elas não tem medo nenhum e vão chegar a 30cm de distância de você gritando para sua isca. Os Giant Trevallys responderam bem aos poppers, mais que os stickbaits, mas os dois foram efetivos.

Os maiores peixes foram pegos utilizando poppers. Os Jigs pegaram muitos GTs menores. Muitos GTs são negros nas Marquesas. Os nativos chamam eles de “fantasmas”, e são enormes, um verdadeiro “Garua GT”, não param… um grupo de GTs pequenos/médios seguiu a isca até a parte de trás do barco, quando apareceu este “monstro” dando um “chega pra lá” nos outros, mordendo a isca e disparando em velocidade máxima! Eu tenho muita sorte de já ter presenciado os maiores Giant Trevallys com o passar dos anos, mas nunca havia visto nada parecido com aquilo, enorme, negro e muito muito assustador. Tudo que eu pude fazer foi tentar segurar o máximo e me manter no barco. Se eu não tivesse visto pessoalmente que era um Giant Trevally, eu diria que era um Dogtooth de mais de 80Kgs, apenas pelo jeito que puxou a linha e foi em direção ao penhasco. Nenhuma chance de puxar a linha.

O resultado inevitável, reorganizando com as mãos super trêmulas. Um dia será possível parar um destes “mamutes”, mas muita sorte estará envolvida. Também precisamos de pilotos de barco com habilidade que ainda não temos lá disponível, já que os nativos nunca tentaram capturar um “fantasma”, e às necessidades e habilidades em utilizar um barco para ajudar na captura precisam ser melhoradas aqui, mas irá acontecer.

Como destino é um lugar ecitante para pescar. Giant trevallys, Atuns, Wahoo e Dogtooth estão presentes, muitos de bom tamanho, e tanto Jigging quanto casting funcionam bem.

Na viajem não encontramos tantos Dogtooth, mas apenas porque não os encontramos. Eles estão lá. É também muito lindo. Nos finais de tarde haviam sempre centenas de Arraia Manta.

O povo Marquês são incrivelmente amigáveis e hospitaleiros – nunca me senti tão bem vindo – e capaz de viver do que a natureza oferece com uma facilidade incrível, o que perdemos a muitas gerações atrás.

Uma viajem para as Marquesas não acontece sem as dificuldades logisticas esperadas, e em muitas partes faria a vigilância sanitária ter um “surto”, mas todo o esforço foi recompensado. Só tivemos um incidente que deixou uma pessoa no hospital de Nuku Hiva após a trip – Teddy com um ombro fora do lugar. Teddy e sua familia, e o clan “Falchetto” fazem um sonho de pesca em um lugar remoto virar realidade.